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Curitiba sem fios: onde a fiação subterrânea já existe e quais regiões podem mudar

Centro e Rua Comendador Araújo já têm rede subterrânea. Veja o projeto da Visconde de Guarapuava e o estudo com o BNDES para até 120 km de vias.

Curitiba sem fios: onde a fiação subterrânea já existe e quais regiões podem mudar

Curitiba já tem trechos onde postes e cabos deram lugar a redes subterrâneas. Agora, a transformação pode ganhar outra escala. Em agosto de 2026, a Prefeitura e o BNDES assinaram um protocolo para estudar uma parceria que pode levar a infraestrutura subterrânea a até 120 quilômetros de vias. Ao mesmo tempo, a Avenida Visconde de Guarapuava entrou no planejamento de uma grande requalificação urbana.

Experimente olhar para cima na próxima vez que andar por Curitiba

Em muitas ruas, quase não percebemos os postes. Eles simplesmente fazem parte da paisagem.

Até prestar atenção.

Cabos de energia, internet e telecomunicações cruzam fachadas, disputam espaço com árvores e formam linhas sobre calçadas e cruzamentos. Agora imagine a mesma rua sem boa parte dessa estrutura visível.

Não é apenas uma ideia para o futuro. Curitiba já tem exemplos disso.

No Centro, uma área de pouco mais de 1 km² conta com rede elétrica subterrânea implantada ainda no fim da década de 1960, no quadrilátero entre as ruas Visconde de Nácar, João Negrão, Augusto Stellfeld e André de Barros.

Na Rua Comendador Araújo, a mudança ficou ainda mais evidente. Em setembro de 2014, Prefeitura e Copel retiraram 40 postes no trecho entre a Visconde de Nácar e a Desembargador Motta, depois que as redes foram transferidas para dutos subterrâneos. Foram cerca de 1,5 km de intervenção.

É o tipo de transformação que muda algo difícil de medir em uma planilha: a forma como uma rua é percebida por quem passa por ela.

A Visconde de Guarapuava pode mostrar como será a próxima etapa

Uma das mudanças mais interessantes está sendo planejada para a Avenida Visconde de Guarapuava.

O Ippuc abriu em 2026 a contratação do anteprojeto para requalificar cerca de quatro quilômetros, entre a Rua Ubaldino do Amaral, no Alto da Rua XV, e a Rua Castro Alves, no Batel.

E não se trata apenas de esconder fios.

A proposta reúne redes subterrâneas de energia e telecomunicações, retirada dos postes do canteiro central, ciclovia, calçadas mais amplas, arborização, paisagismo, acessibilidade e soluções de drenagem, incluindo jardins de chuva.

É aqui que a história fica mais interessante: enterrar os fios deixa de ser uma intervenção isolada e passa a fazer parte de uma transformação completa do espaço urbano.

E Curitiba quer ir além

Em 25 de agosto de 2026, Prefeitura e BNDES assinaram um protocolo de intenções para preparar os estudos de uma Parceria Público-Privada voltada ao enterramento das redes de energia elétrica e telecomunicações.

A intenção inicial é estudar até 120 quilômetros de vias, principalmente no Centro e áreas próximas, priorizando regiões mais adensadas, históricas, turísticas ou com problemas de resiliência. O investimento estimado é de cerca de R$ 1,2 bilhão.

Mas há uma diferença importante: isso ainda não significa 120 quilômetros de obras contratadas.

O protocolo é uma etapa preparatória. Ele abre caminho para estudos técnicos, regulatórios, jurídicos e econômicos que vão determinar como, e em que condições, o projeto poderá realmente sair do papel.

O que isso pode significar para os imóveis dessas regiões?

Uma rua sem fios aparentes pode parecer mais organizada. Árvores e fachadas ficam mais visíveis, a infraestrutura fica menos exposta a eventos climáticos e o espaço público pode ser redesenhado com mais liberdade. No caso da Visconde de Guarapuava, por exemplo, a proposta associa a mudança a novas calçadas, ciclovia, arborização e drenagem.

Para o mercado imobiliário, porém, é importante não transformar isso em uma promessa simples de valorização.

Enterrar fios não faz um imóvel automaticamente valer mais.

Existem estudos internacionais relacionando redes subterrâneas e linhas aéreas ao preço das moradias, mas os resultados dependem do tipo de rede, da cidade e das características do entorno. Um estudo realizado em bairros de Canberra, na Austrália, por exemplo, encontrou associação positiva entre redes subterrâneas e preços residenciais, mas esse resultado não pode ser transferido diretamente para Curitiba.

O que pode fazer diferença é o conjunto: mobilidade, arborização, comércio, conservação das calçadas, iluminação, segurança, acessibilidade e qualidade do espaço público.

E é justamente por isso que acompanhar projetos urbanos importa para quem procura um imóvel.

Às vezes, o futuro de um endereço começa do lado de fora do imóvel

Ao visitar um apartamento ou uma casa, é natural prestar atenção na planta, no número de quartos, na posição solar ou na garagem.

Mas vale olhar também para a rua.

Os projetos que hoje estão em uma planta do Ippuc, em um edital ou em um estudo de viabilidade podem ajudar a definir como será aquele entorno nos próximos anos.

Curitiba ainda está longe de se tornar uma cidade sem fios. Mas alguns trechos já mostram como a paisagem muda quando parte dessa infraestrutura desaparece.

Na FYMOOB, você pode explorar imóveis em diferentes regiões de Curitiba e comparar não apenas os imóveis, mas também o entorno e a cidade que está se formando ao redor deles.

Fontes consultadas

  1. Copel. Soluções da Copel para problemas de vendavais e tempestades, conteúdo publicitário publicado na Gazeta do Povo. Rede subterrânea da região central de Curitiba e sua área aproximada.
  2. Prefeitura de Curitiba. Comendador Araújo agora tem apenas cabeamento subterrâneo, 6 de setembro de 2014. Retirada de 40 postes e transferência das redes para dutos subterrâneos em cerca de 1,5 km da via.
  3. Prefeitura de Curitiba / Ippuc. Revitalização da Visconde de Guarapuava prevê fiação subterrânea, ciclovia e jardins de chuva, 4 de agosto de 2026. Anteprojeto de requalificação de cerca de quatro quilômetros da avenida.
  4. Prefeitura de Curitiba. Prefeitura de Curitiba e BNDES assinam protocolo inédito no País para estudo de enterramento de fios, 25 de agosto de 2026. Protocolo de intenções, estudos da PPP, previsão inicial de até 120 km e investimento estimado em cerca de R$ 1,2 bilhão.
  5. McNair, B. J.; Abelson, P. Estimating the Value of Undergrounding Electricity and Telecommunications Networks. Australian Economic Review, v. 43, n. 4, 2010. Estudo em três bairros de Canberra, Austrália, sobre a relação entre redes subterrâneas e preços residenciais.
Bruno Cesar de Almeida

Bruno Cesar de Almeida

CRECI/PR 24.494 · Corretor de Imóveis

Especialista no mercado imobiliário de Curitiba desde 2009. Sócio-fundador da FYMOOB Imobiliária (CRECI J 9420), com formação em Negócios Imobiliários (UFPR) e Direito (Faculdade Curitibana). Saiba mais

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